No meio de desencantos e trasgreçoes Odair Branbilla, pintor de Piacatu, no interior do Estado, embora residindo já muitos anos na capital, onde fez desenho têxtil na Faculdade Santa Marcelina; Video Clínica-Prof. Rubens Ewald Filho, com José Rodrix; Técnicas de Manchar Lay-Out, no Senac; freqüentador do Atelier de Pintura do Museu de Arte Moderna com artistas como Leda Catunda, Carlos Fajardo e Sérgio Romagnolo... mais de uma dezena de exposições entre Rio e São Paulo, Prêmio Maimeri 75 anos; no Centro Cultural Liceu de Artes e Ofícios; Prêmio Incentivo da Secretaria Municipal de Cultura, etc. etc.
Tem que ser citado, pois algumas de suas obras, como a da fachada do Teatro Municipal de S. Paulo, viraram cartão postal da cidade editado pela Prefeitura paulista. Mas a crítica, cada vez mais impiedosa e desnaturada, não da a mínima para os jovens valores que surgem, mesmo que como este usem técnicas novas, veladuras, plásticos, acrílicos, materiais novos, tinturas novas, e formas e temas novos.
É por esse motivo e não por outro que lhe dedicamos o comentário, embora não saibamos se ele gostará ou não, não poderá se queixar de que a crítica omitiu-se ao seu respeito e, em geral, a toda arte jovem.
Na publicidade tem achado Brambilla um bom caminho, com elogios, não da crítica, mas da própria aceitação do mercado: Revista "ELLE", "VETEVIP", Jornal DCI "Criação", diretoria de arte e propaganda, mas nesse terreno sua produção será seguramente a mais discutida, partindo precisamente do que entendemos por bom gosto, processo polêmico e que tem uma solução diferente em cada cabeça.
Nomes muito famosos já nos deram exemplo disso até em bienais internacionais pelo mundo afora e onde os brasileiros não estão fora, estão dentro e em ótima colocação.
Mas a pintura de Brambilla explode em cores brasileiras, é como o pais em dia de festa; festa de multidões. Não é uma pintura figurativa, pelo contrário são quadros de descobrimento da cor apôs um tratamento especial de veladuras e de trabalho de horas encima dela, até conseguir faze-la brilhar e incorporar nela própria uma luz única, com sombras ou manchas também únicas, a caminho de só Deus sabe quais perfeiçoes que nos permitem diferentes leituras e emoções.
Amarelos e azuis, linhas que representam retorcidas emoções interiores, do artista e de quem as observa. São telas belas, onde o argumento ou tema está na mente de quem as olha. É uma superposição do mundo interior com o mundo exterior; a tentativa de justificar na arte aquilo que a ciência luta por mostrar, sem êxito, no laboratório: a força interna pela mutação que acontece sem saber ao certo por quê nem para quê.
Assim podemos dizer que Brambilla consegue obras primorosas cujo significado, destino e objetividade desconhecemos. São belas obras para serem observadas. Podem ser decorativas, dependendo do ambiente. Mas está claro que não é essa a sua função. Na minha opinião a obra de Brambilla, que conheci pela primeira vez na sua exposição no Centro de Artes de São Paulo, fazem dez anos já, mostra uma evolução cromosomática da jovem pintura brasileira.