Paulo Acencio

Natural de Juaceiro (Bahia), em 1944, Paulo Acencio mora em São Paulo desde os catorze anos de idade e é aqui que se formou e daqui que espalhou sua arte pelo mundo afora. A expressão "mundo-afora" é um pouco sem graça e quase sempre encobre uma que outra excursão do artista que a usa. Não neste caso. A obra de Paulo Acencio participou de exposições internacionais e esta em galerias e museus nos seguintes países: Japão, Taiwan, Portugal, Espanha, Suécia, França, Dinamarca, Suiza, Argentina, Uruguai, Costa Rica, Bélgica, Inglaterra, Rússia... Sim, podemos dizer, neste casso, com propriedade, que espalha sua arte "pelo mundo afora".

Recentemente ganhou os prêmios "Palhete l'argent", "Pira Artistique-Spots" do 21 Salão Internacional de Arte Contemporânea, na França; no 25 Salão de Revau, também na França; Medalha do Mérito Profissional da Academia Brasileira de Arte e Prêmio "Parceiros Culturais", 1998, da Secretaria do Estado da Cultura (São Paulo).

Não cria só com a palheta. É também membro da UBE (União Brasileira de Escritores) e, em 1988, publicou "Somos Cromo Somos", importante obra literária de imaginação e genialidade.

Na pintura ele prefere óleo sobre ela. Mas, o quê pinta?

Pinta o momento de sucesso nos esportes; o instante transcendente do pensamento induista, quando seus seguidores que vêm e enxergam longe, sentem-se oprimidos pela própria crença; a mulher em pelo cavalgando num espaço aéreo; o menino carteiro que leva correspondência do lado antagônico do mundo, lá onde não tem correio possível; as quatro estações da maternidade, na era da clonagem; temas clássicos como a "Vitória de Samotrácia", um auto retrato e o tríptico "Variações sobre tema de Leonardo Da Vinci", numa série que ele intitula de cibernética e que nós definimos como um hiper realismo fantástico, sem precedentes...

Galerias de grandes empresas o têm convidado a pintar os retratos de seus presidentes, como a Caixa Econômica Federal e editores para ilustrar capas de livros. São também notáveis seus estudos em que encontra Marat, Couber e Jesus. Em todos eles, além da personagem se auto retrata como centro dos estudos, por vaidade pessoal, mania de populísmo em que incorrem a maioria dos autores, ou psicanálise, confessando-se tal e como se vê no espelho com uma figura que não lhe agrada.

Estamos diante de um excelente pintor que sabe trabalhar e reproduzir gestos e superfícies de corpos que vestidos quer nus.

O seu próprio auto-retrato é um ponto de interrogação e desvenda o segredo de uma mágoa profunda da que ele não fala.

As cores de Acencio são extremamente belas em todas suas telas e nos deixam viajar pêlos seus degrades, entornos, transparências...

O curriculum percorrido e conquistado por Paulo Acencio tem sido comprido e difícil, mas superado. É por isso que o achamos capaz de conquistar muito mais, embora não fosse necessário mais do que revalorizar a obra já feita. Isso para um artista como Acencio é impossível porque o que ele quer é pintar mais, desenterrar outros mitos e fazer-nos partícipes de sua poesia e do seu realismo fantástico, que é hiper, enquanto superlativo, tanto no real, como na fantasia.

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