Queirolo

Queirolo é um conhecido retratistas no cotidiano das praias, praças e avenidas de Santos. Porém, o que nos apresenta agora é sua trajetória de artista plástico, formado pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Chile, fez quarenta anos, tempo em que demostrou seu domínio do figurativo, do expressionismo e do cubismo em suas andanças pelo mundo, pois tem viajado por México, Venezuela e agora no Brasil onde, apaixonado pela paisagem, resolveu fixar residência, precisamente em Santos.

Não é fácil julgar a obra de um pintor como Queirolo, contínuo pesquisador das técnicas de pintura que tem seu atelier como um laboratório e que deve compartir sua necessidade criativa com a da sobrevivência econômica. Boa parte dos pintores famosos tiveram estes mesmos problemas. É uma dicotomia difícil que lhe obriga a retratar - coisa que faz com perfeição - para sobreviver. E mesmo assim, o faz com a pressa de quem vai ao caça níquel, indispensável para manter a dignidade da família e da profissão. Nisto podemos falar com certa propriedade: a qualidade artística de Queirolo é superior ao que mostra em seus excelentes retratos de rostos que lhe são solicitados. É, também, criador do gravado lumínico, técnica que incorpora às artes plásticas a emulsão heliográfica. Mas é no abstracionismo onde ganha sua dimensão maior de artista plástico digno de ser citado, apreciado e visto com alguma assiduidade. Queirolo nos mostra um universo maravilhoso que vem de sua pessoal interpretação e trato da cor e da matéria.

Criticar a obra de Queirolo não é nada fácil. Dizer que se trata de uma produção boa, não é suficiente. A crítica sente-se na obrigação de exigir mais dedicação, embora descubra nele qualidades de Van Gogh, Cézanne e Magritte, suspeita, também, de falta de continuidade ou de dedicação a algum tema específico ou a uma mistura de tudo aquilo que compõe seu universo: retrato, figura, abstração, cubismo, hiper realismo... Não é um caso diferente pois todos os grandes artistas tiveram sua vida cheia de altos e baixos, de inseguranças, paixões e incompreensões.

Tal vez, o mais acertado seria ficar frente a uma de suas obras e, simplesmente, examina-la sem mais. Fazer um análises objetivo, ver como a mesma ficaria num ambiente, caso do observador ser decorador, também. O artista cria a ilusão, mas não está libre das técnicas e conceitos apreendidos na escola de belas artes, nem da propaganda que nos invade por todos os lados para que façamos parte do mundo consumidor. Embora nós prefiramos imaginá-lo livre de todo preconceito e influência. Livre para inventar a forma.

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