A CRÍTICA NAS DÉCADAS DE 1920 A 1950
Essas quatro décadas tem sido decisivas para um novo julgamento das artes, todas em evolução: a pintura, a dança, a música, a literatura, a poesia, a fotografia, o teatro, o cinema... Uma época que não deixa nada a dever aos anteriores, considerados tempos dourados das artes. Tudo era novo: manifestações, artes, e um amadurecimento da crítica que contava também com nova técnicas para seu julgamento, uma erudição mais completa com mais e melhores recursos.
O mundo estava mudando nessas décadas. Às Américas se recomponham com outra cara. Europa que tinha saído de uma guerra se preparava para outra. Alguns países, como o caso concreto da Espanha, passavam uma guerra civil que servia como um grande ensaio para a outra maior. Dessas décadas são o Guernica, o New Art, as correntes filosóficas que descobriam o existencialismo, que quinze anos mais tarde teriam sucesso em América... e os poemas de García Lorca em New York, e as apreciaçoes críticas de Claude Lévi-Strauss, não exatamente na antropologia mas no terreno das artes: música, literatura, pintura... Penso que a fotografía, cinema e televisao fizeram com as artes o que a informática com a pesquisa: multiplicaram as informaçoes.
São décadas em que não só tudo esta em evoluçao, como abrem-se portas importantes e gigantescas para novas e radicais posturas na ciência, nas artes e na filosofia. É precisamente por tratar-se de arco decisivo que liga as tradiçoes às suas rupturas mais significativas que não se pode fazer uma apreciaçao resumida ou simploria.
Vale a pena jogar uma olhada sobre esse tempo: 1920/1950.
A palavra de moda é "progresso". O progresso define toda evoluçao: na comunicaçao antes somente terrestre e lenta e marítima, transforma-se em alta velolcidade no trem, no automóvel, e no aviao; a mesma coisa com a projeçao da palavra e imagem pela radio, cinema, televisao, telex, telefax, e computadores; a ciência consegue conservar os alimentos antes perecíveis, desidratar frutos, reidrata-los, domina a radioatividade, a radiografia, as vacinas e a energia nuclear... Outro elemento cultural também, é de ordem política: popularizar a cultura: "cultura para todos".
O cinema é mudo até 1927 e preto e branco até 1935. Na verdade, nas décadas que nos foram adjudicadas para estudo nesta reuiao, os Estados Unidos da América tem seu momento de esplendor: são os anos dourados de Hollywood com um grande elenco de diretores, criadores e atores: Chaplin, Hitchcock, Hawsks, Orson Wells, John Ford, Greta Garbo... Na Europa os italianos seriam dos primeiros a aderir a essa onda com seu neorealismo: Rossellini, De Sica e Visconti e mais tarde Antonioni, Fellini, e Passolini e, no inicio do surrealismo espanhol, Buñuel, entremeados com a "nouvelle vague" dos franceses e com o "novo cinema" brasileiro de Glober Rocha. Toda uma verdadeira febre revolucionária, após o sucesso aliado na Segunda Guerra Mundial.
Progresso também na arquitectura, com novas técnicas: os pilares de concreto, misturas de estruturas de ferro e vidros, o aço e a revoluçao das formas nas fachadas e no urbanismo.
Na pintura o Pop Art, também aporte dos Estados Unidos da América só aparece na década de sessenta, mas tem seu caminho possibilitado pela escultura móvel, pela colagem, pelo impressionismo e o abstrato. Os pintores já não se preocupam tanto com a representaçao perfeita, com o centro, com o supérfluo; mudam os conceitos de interpretaçao do propriamente artístico e inundam as ruas, o mercado, as galerias e os museus: Ernst, Pollock, De Koonig, Picasso, Duchamp, Dalí, Miró...
No Brasil há como que uma tendência a se espelhar nos movimentos artísticos franceses. Como exemplo a Semana de 27, os Mário de Andrade, Anita Malfati, e todos aqueles dos quais vocês sabem muito mais do que eu. É essa tendência que colocaria em desespero a crítica de Monteiro Lobato, autor de novelas de grande vulto como "O Choque das Raças" ou "O Presidente Negro", seu "romance de 2228", ao que ainda não fizemos suficiente justiça, mesmo com as comemoraçoes de seu cinqüentenário. Monteiro Lobato queria que a arte brasileira procurasse motivaçao no próprio Brasil e não copiasse as tendências externas. Não deu certo. Mas sua opiniao ainda está no ar. Em relaçao com seu "romance de 2228" deve se dizer que é dele a idéia criativa do "túnel do tempo", não dos norte-americanos.
A música também recebe o empurrao necessário para ilustrar peças de teatro, filmes, seriados de radio e de televisao e sua própria vontade de evoluçao, na Espanha, por exemplo a música abstrata de Ohana e Halffter .
O "progresso" na literatura vem com Proust, Joyce, Faulkner. Proust que está "À procura do tempo perdido" e Joyce com seu "Ulises"; e com eles aportam mudanças significativas também Pirandello, Beckett, Ionesco, García Lorca, Camilo José Cela, e um longo etecetera, que em hispano-américa nos dariam uma longa relaçao, como: Quiroga, Rulfo, Borges, Asturias, Nicolas Guillén, César Vallejo, Neruda, Fuentes, Cortázar, Vargas Llosa, García Márquez, etc. que como já anuncie antes nada mais serao do que a exploçao das décadas que nos ocupam, rumo à atualidade e onde Brasil tem nomes muito significativos e universais como Jorge Amado, Guimaraes Rosa, Fernándo Pessoa, José Lins do Rêgo, Mário Quintana, Clarice Lispector e muitíssimos mais.
Todos os nomes relacionados neste trabalho foram citados de memória e sem consulta previa, pelo que peço desculpas.
Faltam artistas de toda tipo pois não é um trabalho exaustivo.